Blog de danielcohen
   Paella Econômica.

Fiquei um tempo afastado das panelas e do nosso convívio quase diário. A depressão faz estragos inimagináveis. Só quem desconhece seus efeitos devastadores pode aquilatar. Tenho estado assim a quase um mês. Nos primeiros dias até que segurei a onda, entretanto a "coisa" foi espalhando seus tentáculos, até fazer com que a vida ficasse novamente sem muito sentido. Estou lendo um livro ( Bipolar - Memórias de Extremos - Terri Cheney - Ed. Larousse) que em seu primeiro capítulo sintetiza a bipolaridade assim: "Se vc embarcar comigo nesta jornada, uma advertência é necessária: O transtorno bipolar, ou depressão maníaca, não é uma viagem segura. Ela não vai partir do ponto "A" e chegar ao ponto "B", da maneira que vc esteja acostumado. É uma viagem caótica, imprevisível. Nunca se sabe qual será a próxima etapa"  Fazia tempo que não lia algo tão cercano da realidade! O Livro é fantático, recomento enfáticamente, entretanto, o mesmo poderia ser fechado ali mesmo no seu primeiro parágrafo,....alí mesmo a autora disse tudo sobre a doença.

Isto posto, aqui estou eu, refazendo os já trilhados caminhos da viagem rumo a depressão. Triste, chata,...Sem nexo! O sempre cinzento vazio que ronda a alma e tanto incomoda o corpo fazendo uma imensa pressão no peito; enfim,...Sei que isso vai passar! Como as ondas e as marés, essa será tão sómente uma das muitas crises que ainda terei que enfrentar.

Paella é marca gastronômica registrada de um delicioso país: Espanha. Muito em voga pela revolução que tem causado na gastronomia mundial, tem na paella uma tradição cercada de atenções e cuidados. Os mais puristas, só a fazem em cima de pedras, usando como lenha, gravetos secos das vinhas aparadas. Realmente assim feita o sabor é outro, mas acredito que o resultado advenha mais de "defumação" do que do tipo da madeira em sí. Já fiz na lenha e igualmente o resultado foi tão bom quanto os tais gravetos de vinhas.

Paella é o nome da panela baixa que usamos para cozinhar o arroz e seus complementos. Antigamente os camponeses e pastores Valencianos, saim para sua lida diária e levavam a panela e um punhado de arroz no bolso, assim como azeite e sal no alfajor. Na hora do almoço, os trabalhadores juntavassem em torno da panela e preparavam o arroz, com os legumes que tivessem a mão e mais alguma caça que haviam conseguido. Pombos e coelhos eram bastante normais> Igualmente podiam trazer de casa algum pedaço de frango ou porco, e assim nasceu a tradição deste delicioso prato. Na paella pode-se por qualquer ingrediente, desde que não faltem o arroz e o açafrão. Estes são fundamentais. Conforme a cultuta deste prato foi alastrando-se, chegou até a costa da Espanha, onde foram agregados os frutos do mar. Uma curiosidade interessante sobre este prato: Ele é comunitário. Os trabalhadores traçavam linhas que formavam triângulos e ali estava determinada a porção de cada um, motivo pelo qual até hoje distribuimos os ingredientes de forma ordenada, dando a cada um um pedaço de cada coisa. Como se fosse uma memória celular do prato, mesmo ao chegar na região litoranea, mantiveram-se as carnes, harmonizando-se perfeiramente com os frutos do mar que invadiram este típico prato montanhês. Vc pode fazer paellas do que quiser: Legumes, carnes, mistas,...Tudo é uma mera questão de gosto.

Regras básicas da paella: 1)Ter a panela adequada ao número de pessoas. 2)Ter um fogo que ataque a panela em toda sua área(Se não o arroz não cozinha por igual) 3) Não esquecer a matemática básica. Para cada porção de arroz, 2,5 vezes a quantidade de caldo. (1kg de arroz/2,5 lts de caldo)

Hoje lancei-me um desafio! Fazer uma paella econômica. Dei tratos à bola(Nossa que termo mais antigo,...acabo de revelar a idade de vez,...) e não é que deu certo? Fiz uma paella de frutos do mar para 4/5 pessoas por meros r$16,00. Vamos a ela?

600 grms de cação em cubos - 300 grms de camarão 7 barbas - 300 grms de lulas em aneis - 1/2 pimentão vermelho em tiras - 1/2 pimentão amarelo em tiras(para decoração) - 1 cebola média - 6 dentes de alho, dois picados e 4 inteiros - 1 xícara de arroz - 3 1/2 xícaras de caldo de peixe - 1 xícara de vinho branco - 1 tomate grande em cubos médios. (Não tinha açafrão em casa. Se tivesse dissolveria uns 4 pistilos no caldo)

Peça ao teu peixeiro espinhas e cabeças de peixe, lave-as bem e colque para cozinhar deixando ferver por uns 20 minutos. Ai esta teu caldo de peixe natural. (pode usar os cubinhos(urgh!!) neste caso cuidado com o sal) No fim da fervura, coloque as tiras de pimentão neste caldo para amoleçe-las.-Reserve aquecido(Tampe)

Tempere o peixe os camarões e a lula com azeite, sal/pimenta/vinho branco - Reserve por meia hora. Aqueça a paella com azeite e coloque as cebolas em cubos os alhos e a lula. Quando a cebola começar a ficar transparente coloque o arroz e deixe refogar por uns 3 minutos; é chegada a hora dos tomates. Não tenha dó deles! Prá panela! Imediatamente verta o caldo de peixe (tire as tiras de  pimentão que serão usadas na decoração) e abaixe o fogo. Agora queremos ir bem devagar. Quando o arroz estiver empapado mas em vias de iniciar a amolecer, coloque o peixe e delicadamente ajeite-o no arroz. Não revolva nada! Uns 3 munutos depois, é a vez do camarão e da decoração com os pimentões. Via de regra usamos os vermelhos e amarelos em uma franca homenagem a Espanha. Deixe o arroz secar e até dar uma queimada no fundo. Faz parte da tradição raspar o crocante do queimado.

Claro que usei ingredientes simples e baratos, visando compor o propósito do novo livro. Como coloquei anteriormente vc pode fazer este prato com os ingredientes que quiser. Qualquer hora publico uma clássica Valenciana completa, mas para vcs entenderem a ordem de entrada dos ingredientes.

 



Escrito por danielcohen às 15h35
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   Razões do coração.

 
VOCÊ SE LEMBRA DAQUELA TOCANTE HISTÓRIA DO LIVRO O PEQUENO PRINCÍPE?
 
Bom,
existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador
do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de St. Exupéry. Poucas
pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola, quando foi capturado
pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte.
Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos
estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou
fósforos, mas não tinha, porque os soldados haviam tirado todos os fósforos
de sua bolsa. Ele olhou então para o carcereiro e disse: "Por favor, usted
tiene fósforo?". O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu
cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram, e St. Exupéry
sorriu.
Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se
chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante,
uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso
no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de St. Exupéry e ficou
perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. St. Exupéry
também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como
carcereiro.
Parece que o carcereiro também começou a olhar St. Exupéry como pessoa,
porque lhe perguntou: "Você tem filhos?". "Sim", St. Exupéry respondeu, e
tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus
filhos também, e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro
deles. Os olhos de St. Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não
tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do
carcereiro se encheram de lágrimas também. E de repente, sem nenhuma
palavra, ele abriu a cela e guiou St. Exupéry para fora do cárcere, através
das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o
carcereiro deu meia-volta e retornou por onde veio. St. Exupéry disse:
"Minha vida foi salva por um sorriso do coração".
O que foi aquela "chama" que pulou entre o coração desses dois homens? Isso
tem sido tema de intensa pesquisa atualmente, na medida em que os cientistas
estão se dando conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica,
mas um sofisticado sistema para receber e processar informações. De fato, o
coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como
disse o filósofo francês Blaise Pascal: "O coração tem razões que a própria
razão desconhece".
Estados emocionais negativos, como raiva ou frustração, geram ondas
eletromagnéticas totalmente caóticas do coração, como se estivéssemos
pisando no acelerador e no breque simultaneamente. Esse estado de batimentos
desordenados é chamado de "incoerência cardíaca" e está ligado a doença
cardíaca, envelhecimento precoce, câncer e morte prematura.
Em estados de amor ou gratidão, nosso batimento cardíaco torna-se
"coerente". Isso diminui a secreção dos hormônios do estresse, reduz a
depressão, hipertensão e insônia, melhora o sistema imune e aumenta a
clareza mental. Essa é uma das razões pelas quais tem sido provado que as
emoções positivas estão associadas à boa saúde física e mental - e à
longevidade. Essa irradiação coerente do coração - essa "chama" de genuína
afeição - pode afetar pessoas a uma distância de até 5 metros! Logo, na
próxima vez em que você estiver numa situação difícil, respire
profundamente, lembre-se de St. Exupéry e do Pequeno Príncipe e irradie a
energia de seu coração. Como o Pequeno Príncipe nos lembrou, "somente com o
coração podemos ver com clareza".
 
Uma homenagem a minha querida mãe, que sempre soube olhar com o coração.


Escrito por danielcohen às 02h55
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